Quarta-feira, Julho 21, 2004

 

O Machismo: A Manifestação da Pequenez

Desde sempre o mais forte coagiu o mais fraco.
É uma realidade maximamente abrangente que se perpetua em sistemas políticos, sociais, económicos e interpessoais.
Também, o homem (ser humano masculino), historicamente, apresenta uma doentia superlativação do seu sexo, com vista à secundarização e instrumentalização da mulher.
A prepotência e tirania com que coagem é o resultado primário da assimilação de uma ideologia retrograda, reaccionária e obsoleta.
Tão de direito e tão capazes, as mulheres foram julgadas axiomaticamente como seres fracos, dependentes, menos racionais, ao serviço do homem como instrumentos reprodutivos e de prazer.
Essa vil e ignorante discriminação é tão antiga quanto a divisão de tarefas nos tempos primitivos, a qual forçosamente subordinava a mulher ao homem, o qual por ser, geralmente, mais robusto, tornar-se-ia o responsável pela obtenção da caça.
Com a sedentarização, surge o conceito de propriedade privada, conjuntura a qual acentua a dependência económica do sexo feminino que é impelido para o papel procriador dos futuros herdeiros das pertences familiares.
Começa aqui a efectivação do patriarcado, com a concentração do poder e da propriedade nas mãos de descendentes do género masculino, o qual foi, progressivamente, ceifando os direitos inalienáveis das mulheres.
O sexismo foi ideologicamente justificado por doutrinas fundamentalistas e exíguas, embora eloquentemente sofismadas com raciocínios.
Diversos filósofos como Confúcio («A mulher é o que há de mais corrupto e corruptível no mundo»), Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e Hegel muito contribuíram para o retrocesso e implantação de abjecções ideológicas.
Por outro lado, certas religiões, em contradição, muitas vezes, com a matriz doutrinária de bem que proclamavam, tiveram um papel conivente com a exploração da mulher, e, até, potenciador.
O Cristianismo, nomeadamente, na forma da igreja Católica, foi, durante séculos, uma instituição corrupta e atrofiadora do pensamento livre.
Em termos dos direitos da mulher, promoveu a sua subjugação e a apoteose masculina, aversões alicerçadas no retrogrado livro sagrado cristão, a Bíblia: (...) «mulheres sejam submissas a seus maridos (...)» (Efésios, 5, 22); "(...) «o homem é o chefe da mulher» (I Coríntios, 11, 3); «Quanto ao homem (...) é imagem e glória de Deus, mas a mulher é glória do homem.» (I Coríntios, 11, 7).
Também o Hinduísmo fomenta a discriminação da mulher. Esta é vista como um ser erótico que tem de ser dominado como forma de não intervir na busca de espiritualidade por parte do sexo masculino.
Como no Hinduísmo, o Islão concebe a mulher como a encarnação da sedução sexual. Não é considerado um ser íntegro, e, como tal, pertença do seu marido, “direito” assegurado pelo Alcorão: «Vossas mulheres são vossas semeaduras. Desfrutai, pois, da vossa semeadura, como vos apraz»(Segunda Surata, versículo 223).
Hoje em dia, assistimos ao desrespeito da mulher nas “repúblicas” islâmicas, doentias e fundamentalistas, onde se legislam barbaridades como o uso obrigatório de véu ou a proibição do uso de maquilhagem e de qualquer enfeite, transgressões passíveis de prisão ou chicotadas.
Do mesmo modo, diversos sistemas políticos inferiorizavam as mulheres.
Na famigerada “democracia” grega, pioneira ao que consta, todos os cidadãos votavam, independentemente da sua riqueza. Todavia, o conceito de cidadão excluía escravos, metecos (estrangeiros) e mulheres.
Até a inovadora e revolucionária Constituição dos Estados Unidos da América, fundado sobre valores “liberais e democráticos”, não só neglicenciava os direitos dos indígenas, como os das mulheres. Só em 1919, foi aprovado pelo Congresso, uma emenda à constituição, onde se universalizava o voto, a todos os brancos, independentemente do sexo (e só em 1965 foi concedido o direito de voto aos negros).
Em pleno século XX, na Europa, com a “benção” da igreja Católica, o fascismo expande-se, e, com ele, o autocracismo, o racismo e o imperialismo tomam palco.
Sofisma-se a rígida estereotipação da “família tradicional”, um verdadeiro hino ao fossilismo, onde a secundarização da mulher é patente no servilismo ao marido “protector” e na circunscrição do seu papel à função reprodutiva e ao serviço da casa.


O Portugal dos Pequenitos
Inacreditavelmente, num Portugal de século XXI, a discriminação sexista chega aos meandros justiciais.
Após recurso, foi concedido pelo Supremo Tribunal, a um homem homicida da sua esposa, uma atenuação de pena em 4 anos, alegando-se o facto do infractor ser «analfabeto» e de ter «havido violação dos deveres conjugais» por parte da vítima ao «não querer manter relações sexuais com» o indivíduo.
È, certamente, um perverso retrocesso ao Portugalito conspurcado pelo patriarquismo.
A recusa de relação sexuais por um conjugue agora é, surpreendentemente, passível de ser atenuante de um homicídio.
Ao ser reconhecida pela justiça como falta ao “dever matrimonial” apresenta-nos a deficitária inteligência de uma plêiade de “velhos do Restelo”, aparentemente regida pelos princípios esclavagistas da “sharia” de Khomeini.
Esse “dever”, em vez nenhuma, esteve assegurado pela lei, tanto é que a existência, por meios coercitivos, de relações sexuais num casal é considerada violação e é punida por lei.
Neste Portugalito de séculos XXI, uma sociedade alienada por onze macacos atrás de uma banana, cala-se à semi-amnistia de uma homicida por padecer de falta de servilismo e submissão da esposa.
A caravana passa e os cães não ladram.

Comments:
That's a great story. Waiting for more. after plastic face lift surgery before
 
You have an outstanding good and well structured site. I enjoyed browsing through it »
 
Enviar um comentário

<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Hit Counter
Free Counter