domingo, novembro 28, 2004

 

Mediocridades Elevadas à 5ª (*)

Agora que alguns começavam a respirar de alívio pelo facto da televisão portuguesa estar, aparentemente, descontaminada, surge uma nova agressão: o reality-show “Quinta das Celebridades”, a nova aposta da TVI na poluição televisiva.
De formato sueco e experimentado em França, Itália, Alemanha, Espanha e EUA (onde era visto por uma média de 8 milhões de espectadores), “Quinta das Celebridades” foi agora adaptado a Portugal. Neste novo concurso pretende-se que 12 concorrentes, as supostas celebridades, fiquem confinados dentro de uma herdade durante 3 meses, sujeitando-se a viver, grosso modo, segundo os moldes do final do século XIX. Como seria de esperar, não falta o toque orwelliano, o que significa que para além de estarem privadas de muitos confortos, as celebridades estão a ser vigiadas 24 horas por dia. Mas nem tudo são desvantagens. Para obter um bom elenco na “Novela da Vida Rural”, a Endemol dispôs-se a pagar regiamente: entre 5 mil e 25 mil euros semanais, consoante a celebridade.
Agora vejamos: se existem pessoas no mundo que são obrigadas a subsistir com apenas 2 euros diários, será justo que pseudo-estrelas recebam contas exorbitantes lá por estarem a mungir vacas e plantar couves para um país inteiro ver?
Por outro lado, o próprio nome do programa induz num grave erro. De facto, serão os concorrentes verdadeiras vedetas, personalidades com obra feita ou pessoas que alcançaram alguma notoriedade por motivos um pouco dúbios? Celebridades porque foram acusadas de tráfico de jóias, ofereceram um espectáculo deprimente de pontapés durante um jogo de futebol, protagonizaram filmes pornográficos ou apresentaram um programa televisivo nuas? Na minha opinião, só o facto destas pessoas serem consideradas célebres mostra quão baixo é o nível cultural da nossa sociedade. Não é celebridade aquele que se destaca nos campos literários, da música ou da política, mas sim aqueles que fazem as delícias das massas, são veteranos nas revistas “cor-de-rosa” ou já surgiram por entre as luzes da ribalta social.
Na minha óptica, é a atracção irresistível pelo exibicionismo, pelo “show off”, que leva estas celebridades decadentes a venderem a sua privacidade. É também impressionante a sua futilidade: que dizer de uma pessoa que perde meia hora do seu dia a filosofar se veste Armani ou Channel?
Apesar de tudo, é esse género de programas que ganha a guerra das audiências. Foi com “Quinta das Celebridades” que a TVI conseguiu pôr termo à liderança da SIC, liderança essa que já se arrastava há sete meses consecutivos. Em termos éticos, este facto levanta-nos outra questão. Apesar de os concorrentes não serem obrigados a participar, ao assinarem o contrato estão a tornar-se fantoches numa farsa improvisada e medíocre. Basta ver o que sucedeu a Zé Maria, vencedor da primeira edição de “Big Brother”, que sofre agora de graves perturbações, as quais, inclusive, já o levaram à beira do suicídio.
Quando o porta-voz da TVI afirmou: “Acreditamos (…) no gosto que os portugueses têm neste género de programas.” - sabia decerto que “Quinta das Celebridades” seria um sucesso. De facto, a maioria dos portugueses, com todos os problemas que o país e o mundo atravessam, parece estar apenas interessada em conhecer os pormenores sórdidos da vida quotidiana dos concorrentes e prefere viver nesta doce alienação.
Enfim, “não sei se diga, não sei se faça, não sei se pense”.


* Gentilmente enviado por Carolina Almeida


domingo, novembro 07, 2004

 

Vaticanices

Cristo, quer se acredite ou não na sua transcendência, deixou uma mensagem de bem.
O culto cristão ramificou-se segundo várias interpretações, sendo, actualmente, maioritária a facção católica, a qual se verga à irracionalidade do Vaticano.
Este lugar, apesar de ser a morada dos Papas desde o século V, só no século XX se tornou Estado independente como recompensa pelo reconhecimento do regime sanguinário de Mussolini, uma perfeita simbiose entre o Fascismo e o Catolicismo selada no Tratado de Latrão (1929).
Hoje em dia, o Vaticano é um Estado juridicamente soberano, tem representações diplomáticas em 179 países do mundo. Possui observadores permanentes no Concelho da Europa, na Organização dos Estados Americanos, na Organização de Segurança e Cooperação da Europa, nas Nações Unidas, na Agência Internacional de Energia Atómica e, em 1997, passou a integrar a Organização Mundial de Comércio.
A nível interno, o Papa concentra o poder legislativo, executivo e judicial, sem limitação temporal definida, situação que noutro Estado se chamaria ditadura.
Em tempos, perguntaram a Cristo que reino era o dele. Em tempos, a resposta foi: “o meu reino não é deste mundo”.

Por outro lado, a acção histórica da máxima autoridade católica é uma panóplia de hipocrisia e canalhice.
O Vaticano, desde sempre, se conluiou com a selvajaria e abençoou o sangue vertido em nome de Deus.
O Papa Urbano II aprovou as Cruzadas e a “guerra santa” contra os muçulmanos; o Papa Gregório IX criou a Santa Inquisição, tribunal religioso que cometeu as maiores atrocidades, desde processos torcionários de confissão, até às execuções capitais com requintes de sadismo; o Papa Alexandre VI, através da Bula Inter Caeteras, dividiu o mundo em duas áreas de colonização, ou, como lhe chamaram, “evangelização”: uma a cargo dos brutais portugueses, outra a cargo dos não menos brutais espanhóis , como denuncia Frei Bartolomeu de las Casas. «Deram-se alguns índios a cada cristão sob o pretexto que ele os instruiria nas coisas da fé católica. O cuidado que eles tiveram com esses índios foi enviar os homens para as minas para extrair ouro(...), e as mulheres para os campos(...)»), diz aquele escritor.
Já no século XX, a Igreja Católica Apostólica Romana condenou a indubitável barbaridade do comunismo, aconchegando-se, no entanto, cobardemente, no seio do fascismo.
Em 1933, o cardeal secretário de estado Pacelli delineou uma concordada que seria ratificada com o III Reich, estabelecendo, assim, laços diplomáticos entre a Santa Sé e o Nazismo.
Este cardeal viria a ser mais tarde o Papa Pio XII, o qual sempre foi eufémico e, silenciosamente, consentidor da acção de Hitler.
Outras questões geram polémica, como o eventual encaixe de ouro proveniente de Judeus expropriados pelos Nazis nos cofres do Vaticano, ou a ajuda a nazis em fuga, após a invasão aliada, através da “rota dos mosteiros”, ou a própria beatificação de José Maria Escrivá, o qual via Hitler como o salvador do cristianismo.
A Igreja esteve do lado de Salazar, de Franco e de Mussolini, sendo, particularmente, lucrativa a última sinergia, a qual rendeu milhões de dólares.
Judas entregou Cristo por trinta moedas de prata. A Santa Sé por mais algumas.

Não obstante alguma evolução recente, principalmente no papado do Papa João XXIII, o Vaticano mantem-se paralisado no tempo. Vive no seu cubículo ideológico, emana moralidade com reaccionarismo, com estupidez.
Alimenta-se mais do fundamentalismo bíblico do que de humanismo cristão; empenha-se na conservação do arcaico, seja, internamente, o machismo que veda a presença da mulher na hierarquia religiosa ou perpetua o celibatarismo, seja a exprobação da homossexualidade, da eutanásia, do uso de contraceptivos.
Ainda há dias saiu um novo “Catecismo Social da Igreja”. Mais uma encíclica que condena o uso de preservativo, mais um crime contra a humanidade.
Até quando?

quinta-feira, outubro 28, 2004

 

1984

«O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico (...).»

(Constituição da República Portuguesa, Parte I, Título II, Capítulo I, Artigo 38.º, Ponto Quarto)

Se graves são as pressões do poder económico sobre a comunicação social, mais graves se tornam quando estas são potenciadas pelo poder político.
O último ao urdir condicionamentos e pressões direccionadas sobre o conteúdo editorial dos meios de comunicação social excede largamente as suas incumbências, perpetrando verdadeiros atropelos ao Estado de Direito.
A pluralidade não abarca amordaçamentos ideológicos. Democracia é pluralidade. Urge garantir a sua genuinidade, nomeadamente, saneando quem em posse de poder se mostre inidóneo na demanda da mesma.


sábado, outubro 23, 2004

 

"A Estratégia da Aranha"

por Miguel Sousa Tavares

quarta-feira, outubro 13, 2004

 

A propósito da morte de Christopher Reeve...

Muito devido à influência de um Vaticano retrogrado e atrasado e seus sequazes, hoje em dia milhares de pessoas sofrem. Sejam as que se vêem privadas do direito à eutanásia, ao aborto ou as que esperam pelos benefícios da terapia com células estaminais.Em alguns Estados ditos "laicos" «só Deus dá e tira vida».Nesses Estados, que se apresentam constitucionalmente secularizados, são os mesmos onde consciências católicas legislam e impigem "leis pouco laicas" a milhões de pessoas não necessariamente religiosas.Uma grande parte da população sente-se confortável, pois as medidas estão de acordo com o que a sua consciência religiosa lhes dita.Mas estariam tão confortáveis se em vez do “sacrossanto” CDS-PP estar no poder, governasse um partido de inspiração Budista? E se em vez de “Democracia Cristã” fosse “Democracia Hindu”? Viveriam no mesmo marasmo e conformados?

 

Christopher Reeve Paralysis Foundation

http://www.crpf.org/

terça-feira, outubro 12, 2004

 

"Tribunal Europeu condena Portugal - Em causa o novo Código de Trabalho"

Portugal foi hoje condenado pelo Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, no Luxemburgo, pela inexistência do direito de recurso para os trabalhadores portugueses em caso de despedimento colectivo, violando assim as regras comunitárias.

domingo, setembro 19, 2004

 

O "Espírito Democrático" dos Estados Unidos

«O Senado rejeitou o Tratado de Proibição Total das Experiências Nucleares, a 13 de Outubro de 1999. Mas já antes os EUA tinham rejeitado a Convenção de Direitos da Criança de 1994, pela simples e extraordinária razão de que este tratado proíbe o recrutamento antes dos 18, e os EUA querem manter o recrutamento aos 17 – só os EUA e a Somália rejeitam ratificar a convenção. (...) Rejeitaram os protocolos adicionais à Convenção de Genebra, de 1949, que alargam os direitos da população civil em caso de guerra, como rejeitaram a Convenção sobre Económicos e Sociais (1966), a Convenção sobre os Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (1969), A Convenção Sobre os Direitos das Mulheres (1979), a Convenção sobre o Direito do Mar(1982) porque punha em causa os interesses da sua marinha, ou ainda o Tratado de Ottawa que proíbe minha antipessoais (1997).»

«(...) seria terrorismo ter imposto e apoiado Pinochet, Bokassa, Videla, Galtieri, Strossner, Mobutu, os generais brasileiros, os coronéis gregos, Sukarno, Somoza, Baptista, Papa Doc, a ocupação de Timor, Saddam Hussein, o Xá da Pérsia, o general Zia no Paquistão, os Saudis na Arábia Saudita. E quantos mais, impostos de modo calculado através da violência para coagir governos ou sociedades na prossecução de objectivos políticos?»

Francisco Louça e Jorge Costa, in A Guerra Infinita, Edições Afrontamento


sexta-feira, agosto 13, 2004

 

O Triunfo de Fidel e dos Porcos


«Creíamos en los derechos de los pueblos, entre ellos el derecho (...) a rebelarse contra la tiranía.»
Fidel Castro, discurso proferido a 3 de Janeiro de 2004 no teatro "Carlos Marx” por ocasião do 45º aniversário da Revolução Cubana

No primeiro de Janeiro de 1959, Fidel Castro entrava em Havana triunfante.
Era a vitória do idealismo face à corrupção, tirania e totalitarismo da governação de Fulgêncio Batista, muito sustentada pela subserviência aos Estados Unidos.
Esse “idealismo”, no entanto, degenera.
A submissão aos Estados Unidos é, depois, a submissão à União Soviética e seus obscuros interesses económicos e geo-estratégicos.
As antigas tirania e repressão são renovadas: uma sórdida polícia política é instaurada, assim como a censura; obliteram-se direitos como as liberdades de expressão, de impressa e de associação e ilegalizaram-se todos os partidos, excepto o comunista; os dissidentes são altamente reprimidos podendo ser detidos ou enviados para campos de trabalhos forçados; no viciado sistema judicial cubano acumulam-se práticas de tortura como meio de extorsão, o aprisionamento arbitrário e as execuções extrajudiciais.
A Revolução Cubana “comemorou” este ano o quadragésimo quinto aniversário. Nesta sua “longa” existência, Fidel quer, pode e manda, sem para isso estar, verdadeiramente, lidimado. Tal como Fulgêncio Batista.
O poder não é um eterno honorário do povo ao Fidel revolucionário. O poder não é propriedade do partido comunista. É, sim, do governo que o povo cubano legitimar em plebiscito verdadeiramente livre e democrático.
Fidel, o déspota recordista em anos no activo, teve grandes oportunidades para democratizar Cuba. Seria, certamente, lembrado de outra forma: como um redentor e não como um ditador.
Se totalitária era, totalitária ficou.
Cuba continua a ser o país iníquo que era.


domingo, agosto 08, 2004

 

!

«Religião e moral» por Desidério Murcho

segunda-feira, agosto 02, 2004

 

Shame On You, Mr Bush

«Thousands of men, women and children are still held without charge or trial in detention facilities in Iraq»
Amnesty International, Bring justice to thousands still illegally detained in Iraq

quarta-feira, julho 21, 2004

 

O Machismo: A Manifestação da Pequenez

Desde sempre o mais forte coagiu o mais fraco.
É uma realidade maximamente abrangente que se perpetua em sistemas políticos, sociais, económicos e interpessoais.
Também, o homem (ser humano masculino), historicamente, apresenta uma doentia superlativação do seu sexo, com vista à secundarização e instrumentalização da mulher.
A prepotência e tirania com que coagem é o resultado primário da assimilação de uma ideologia retrograda, reaccionária e obsoleta.
Tão de direito e tão capazes, as mulheres foram julgadas axiomaticamente como seres fracos, dependentes, menos racionais, ao serviço do homem como instrumentos reprodutivos e de prazer.
Essa vil e ignorante discriminação é tão antiga quanto a divisão de tarefas nos tempos primitivos, a qual forçosamente subordinava a mulher ao homem, o qual por ser, geralmente, mais robusto, tornar-se-ia o responsável pela obtenção da caça.
Com a sedentarização, surge o conceito de propriedade privada, conjuntura a qual acentua a dependência económica do sexo feminino que é impelido para o papel procriador dos futuros herdeiros das pertences familiares.
Começa aqui a efectivação do patriarcado, com a concentração do poder e da propriedade nas mãos de descendentes do género masculino, o qual foi, progressivamente, ceifando os direitos inalienáveis das mulheres.
O sexismo foi ideologicamente justificado por doutrinas fundamentalistas e exíguas, embora eloquentemente sofismadas com raciocínios.
Diversos filósofos como Confúcio («A mulher é o que há de mais corrupto e corruptível no mundo»), Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e Hegel muito contribuíram para o retrocesso e implantação de abjecções ideológicas.
Por outro lado, certas religiões, em contradição, muitas vezes, com a matriz doutrinária de bem que proclamavam, tiveram um papel conivente com a exploração da mulher, e, até, potenciador.
O Cristianismo, nomeadamente, na forma da igreja Católica, foi, durante séculos, uma instituição corrupta e atrofiadora do pensamento livre.
Em termos dos direitos da mulher, promoveu a sua subjugação e a apoteose masculina, aversões alicerçadas no retrogrado livro sagrado cristão, a Bíblia: (...) «mulheres sejam submissas a seus maridos (...)» (Efésios, 5, 22); "(...) «o homem é o chefe da mulher» (I Coríntios, 11, 3); «Quanto ao homem (...) é imagem e glória de Deus, mas a mulher é glória do homem.» (I Coríntios, 11, 7).
Também o Hinduísmo fomenta a discriminação da mulher. Esta é vista como um ser erótico que tem de ser dominado como forma de não intervir na busca de espiritualidade por parte do sexo masculino.
Como no Hinduísmo, o Islão concebe a mulher como a encarnação da sedução sexual. Não é considerado um ser íntegro, e, como tal, pertença do seu marido, “direito” assegurado pelo Alcorão: «Vossas mulheres são vossas semeaduras. Desfrutai, pois, da vossa semeadura, como vos apraz»(Segunda Surata, versículo 223).
Hoje em dia, assistimos ao desrespeito da mulher nas “repúblicas” islâmicas, doentias e fundamentalistas, onde se legislam barbaridades como o uso obrigatório de véu ou a proibição do uso de maquilhagem e de qualquer enfeite, transgressões passíveis de prisão ou chicotadas.
Do mesmo modo, diversos sistemas políticos inferiorizavam as mulheres.
Na famigerada “democracia” grega, pioneira ao que consta, todos os cidadãos votavam, independentemente da sua riqueza. Todavia, o conceito de cidadão excluía escravos, metecos (estrangeiros) e mulheres.
Até a inovadora e revolucionária Constituição dos Estados Unidos da América, fundado sobre valores “liberais e democráticos”, não só neglicenciava os direitos dos indígenas, como os das mulheres. Só em 1919, foi aprovado pelo Congresso, uma emenda à constituição, onde se universalizava o voto, a todos os brancos, independentemente do sexo (e só em 1965 foi concedido o direito de voto aos negros).
Em pleno século XX, na Europa, com a “benção” da igreja Católica, o fascismo expande-se, e, com ele, o autocracismo, o racismo e o imperialismo tomam palco.
Sofisma-se a rígida estereotipação da “família tradicional”, um verdadeiro hino ao fossilismo, onde a secundarização da mulher é patente no servilismo ao marido “protector” e na circunscrição do seu papel à função reprodutiva e ao serviço da casa.


O Portugal dos Pequenitos
Inacreditavelmente, num Portugal de século XXI, a discriminação sexista chega aos meandros justiciais.
Após recurso, foi concedido pelo Supremo Tribunal, a um homem homicida da sua esposa, uma atenuação de pena em 4 anos, alegando-se o facto do infractor ser «analfabeto» e de ter «havido violação dos deveres conjugais» por parte da vítima ao «não querer manter relações sexuais com» o indivíduo.
È, certamente, um perverso retrocesso ao Portugalito conspurcado pelo patriarquismo.
A recusa de relação sexuais por um conjugue agora é, surpreendentemente, passível de ser atenuante de um homicídio.
Ao ser reconhecida pela justiça como falta ao “dever matrimonial” apresenta-nos a deficitária inteligência de uma plêiade de “velhos do Restelo”, aparentemente regida pelos princípios esclavagistas da “sharia” de Khomeini.
Esse “dever”, em vez nenhuma, esteve assegurado pela lei, tanto é que a existência, por meios coercitivos, de relações sexuais num casal é considerada violação e é punida por lei.
Neste Portugalito de séculos XXI, uma sociedade alienada por onze macacos atrás de uma banana, cala-se à semi-amnistia de uma homicida por padecer de falta de servilismo e submissão da esposa.
A caravana passa e os cães não ladram.

sábado, julho 17, 2004

 


Rui Pimentel, Puro Veneno, in VISÃO nº 593

terça-feira, julho 06, 2004

 

Perspectivas... Ronald Reagan

A vergonhosamente laudatória:
«(...) I recall with deep gratitude the late president's unwavering commitment to the service of the nation and to the cause of freedom as well as his abiding faith in the human and spiritual values which ensure a future of solidarity, justice and peace in our world. (…) I commend his noble soul to the merciful love of god our heavenly father (...)»
Papa João Paulo II, Telegrama à viuva de Ronald Reagan


A verosímil:
«Reagan (…) financially supported the (right-wing security) forces’ murder of tens of thousands of people in El Salvador and Honduras; illegally transferred money from sales of missiles to Iran for arming Nicaraguan Contras against the country’s democratically elected president; and protected Contra drug traffickers.
Because of Reagan’s policies, the United States was convicted by the World Court of “unlawful use of force” for placing explosives in Nicaraguan harbors, and Reagan labeled Nelson Mandela’s African National Congress a notorious terrorist organization. (...)»
Sharon Scott, Statesman Journal

Um Vaticano laudatório e conluiado? Um Vaticano do século XV?

quinta-feira, julho 01, 2004

 

Perspectivas... O Colonialismo

«(...) achando-os [os nativos], fizeram cruéis matanças, e os que ficaram em vida venderam-nos em almoedas públicas como escravos (...) Deram-se alguns índios a cada cristão sob o pretexto que ele os instruiria nas coisas da fé católica. O cuidado que eles tiveram com esses índios foi enviar os homens para as minhas para extrair ouro(...), e as mulheres para os campos, fazendas para cavarem e cultivarem a terra (...). Não lhes deram de comer, quer a uns quer a outros, mais do que ervas e outros alimentos pobres; o leite secava nos peitos das mães e os bebes depressa morriam (...).
Os homens morreram nas minas de esgotamento e de fome e as mulheres nas fazendas (...)»

Frei Bartolomeu de Las Casas (1474-1566), religioso dominicano que denunciou a selvajaria dos colonizadores da América do Sul.

«A Independência consolidada, com a disnatia de Avis no trono, é tempo de Portugal ir à descoberta de Novos Mundos.
A Senhora da Boa Esperança acompanha os descobridores e missionários, e a Boa Nova do Evangelho é anunciada, até aos confins da terra.»

Isabel de Herédia, Duquesa de Bragança.

quarta-feira, junho 30, 2004

 


terça-feira, junho 29, 2004

 

International Campaign for Justice for the Victims of Sabra & Shatila

http://www.indictsharon.net/

domingo, junho 27, 2004

 

Eles Comem Tudo

A actividade política esperar-se-ia nobre, obedecendo à moral instintiva do bom trato da Pessoa independentemente da raça, sexo, credo ou posses.
O que deveria ser uma tentativa constante de filantropismo, está corrompido pela ganância e é, hoje, um circuito onde não se olham a meios para extorquir tudo o que possa reverter em capital.
Esta filosofia, à qual os Estados Unidos da América são um hino, é um reaparecer do imperialismo mas agora, em vez da dependência política, surge-nos a dependência económica. Na política, como na selva, rege o mais forte. O topo da cadeia verga os mais fracos às suas pretensões e necessidades.
Os Estados Unidos, outrora colónia do império britânico, vergados às vontade do maior poder colonizador do passado, insurgiram-se e tornaram-se independentes.Dois séculos passados da declaração de independência, a nação assente na “verdade evidente que todos os homens são iguais, sendo-lhes conferidos pelo seu Criador certos Direitos inalienáveis (...)”, passaram de explorados, a exploradores.Movem criminosas cruzadas imperialistas por todo o mundo enquanto galanteiam-se de serem pioneiros na promulgação de uma constituição, a qual expressa a razão da sua existência na necessidade de “estabelecer a justiça, (...) promover o bem-estar geral, e garantir (...) Liberdade”.
Este neo-imperialismo americano é cuidadosamente sofismado para a opinião pública com aquele maniqueísmo pseudo-altruísta que lhes é característico, expresso com eloquência e aprumo, ao qual se demovem as massas face ao “mítico papel civilizador” que os Estados Unidos têm a desempenhar no mundo: umas vezes é “libertação das populações oprimidas”; outras é o “combate global ao terrorismo”; ainda há “a guerra preventiva “, pois “não terão de pedir autorização ao mundo para defender a sua nação”.
Impreterivelmente, seja qual for o cliché, onde houver “fruto a colher”, o “país bastião dos valores democráticos” bombardeará, destruirá, matará, ocupará, criará um novo trono, empoleirá qualquer marionete articulada, geralmente, criando uma timocracia corrupta. É-lhes indiferente ser um autocrata facínora que suprima direitos, liberdades e garantias da população ou que mate e aterrorize. O seu valor é na medida da vassalagem e da subserviência e, enquanto a “metrópole” puder sugar dividendos e ser saciada, nenhum bandido empoleirado será imputado por qualquer acto criminoso. Nem carniceiros como o Pinochet ou o Sharon.
Casos há, em que a lei é imutável, imparcial e norteada por valores nobres. Na “metrópole” isso acontece na eloquência da teoria. A lei pragmática é a da conveniência: ou convêm ou não convêm. A força bruta de um poderosíssimo exército sustentam a “reversibilidade da lei”.Ora, as armas de destruição em massa de Sharon, tão nocivas como as (hipotéticas) armas de Saddam, nunca motivaram uma invasão a Israel, o que não aconteceu no Iraque, pelo menos enquanto com elas se combateu o Irão, inimigo comum dos Estados Unidos.
Entretanto, a proliferação da fome, a maior arma de destruição em massa, mata mais que qualquer outra, e a “metrópole” esbanja balúrdios na compra direitos de emissão de gases poluentes ou em tecnologia bélica. Ironicamente, eles são os mesmos que diziam ter por "verdade evidente que todos os homens são iguais, sendo-lhes conferidos pelo seu Criador certos Direitos inalienáveis"...
«São os mordomos do universo todo
Senhores à força, mandadores sem lei
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei
Eles comem tudo. Eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada»
Zeca Afonso

terça-feira, junho 22, 2004

 

Perspectivas... Eleições Europeias

"o PS, o BE e o PCP ganharam, por esta ordem. O PSD e o PP perderam, por esta ordem. Os partidos que ganharam sobreviveram melhor à abstenção, o PS porque os seus eleitores queriam penalizar o governo, o PCP e o BE porque dispõem de um voto militante. O voto militante no PCP é defensivo, no BE é ofensivo. Um tem sucesso porque está a crescer, o outro porque resiste a diminuir. (...) É um sinal de fraqueza e não de força que se tenha entendido projectar a coligação governamental, – unida por um lógica de poder executivo –, para as eleições europeias."
José Pacheco Pereira

"uma banhada, na linha europeia, para o governo português"
Marcelo Rebelo de Sousa

sábado, junho 12, 2004

 

Conjecturas acerca da existência de Deus

A religião estabelece-se como uma relação através de crenças e cultos a algo denominado, de forma geral, por divino. Esta experiência, ainda que heterogénea, é claramente universal, estando consagrada como um direito na Declaração Universal dos Direitos do Homem.
O problema da existência de Deus é uma das questões que faz pensar e inquietar, de forma geral, a Humanidade que sempre conjecturou acerca do sentido da sua existência. Relativamente a esta problemática, avalio, numa perspectiva agnóstica, argumentos de filósofos consagrados.
Deus Existirá?
A vertente sagrada da experiência religiosa monoteísta católica apresenta num Deus supremo, perfeito, omnisciente, omnipotente e criador do universo e da vida o objecto do seu culto.Assim, este tem como principal motivação a fé, que, segundo os crentes, é uma convicção dogmática e inquestionável em Deus e na sua palavra.
Pascal (1623-1662) nos ensaios que redigiu acerca da existência de Deus, tenta provar a sua existência tendo por argumento-base a fé. Ele parte da premissa de que Deus é sentido e não intelectualizado. Como ele próprio afirma “o coração tem razões, que a própria razão desconhece”, e quem acredita tem fé e quem tem fé acredita. A fé é um fenómeno bastante abstracto e subjectivo que à luz da filosofia não é aceitável como argumento a favor da existência de Deus, visto ser uma prova completamente circunscrita à dimensão pessoal, e como tal, não poder ser corroborada em termos científicos ou racionais.Além do mais, ante o meu agnosticismo, as premissas de Pascal não poderão servir de suporte a qualquer conclusão. O argumento é válido para quem tem fé, ou seja, para quem não precisa de razões para acreditar, o que, na minha opinião, reduz o seu valor e o não torna convincente.
O argumento da “primeira causa” é também usado a favor da existência de Deus. Este raciocínio afirma que tudo o que existe tem algum motivo e origem e não se podendo remontar ao infinito de causas, terá de haver uma primeira causa incausada para a criação do universo – Deus. A minha posição pessoal é de parcial concordância, pois terá de haver uma causa antecedente que origine a seguinte.
Porém, sendo isto um facto, como poderá Deus ser incausado? Este aspecto é na visão católica dogmático, numa perspectiva filosófica irracional e, na minha opinião, confuso e aniquilador de qualquer significado do argumento da “primeira causa”, pois contradiz a premissa inicial de tudo o que existe é motivado por algo. Por outro lado, poderemos alguma vez ter a certeza de que a haver uma primeira causa incausada, esta corresponderá a Deus?
O argumento ontológico de Santo Anselmo defende a existência de Deus partindo da ideia de um ser perfeito, como é descrito na Bíblia. Como a existência é uma condição da perfeição – o que apenas existe no pensamento é incompleto e como tal imperfeito – segue-se que Deus existe efectivamente.Na minha opinião, e embora o argumento esteja bem formulado em termos lógicos, parte de uma premissa errada de que Deus, a existir, terá de ser perfeito. Se o é, então, como se poderá explicar a existência do mal, de fome, de doença, de guerra, ...?
A resposta de um crente seria, possivelmente, que após a criação do Homem, que era puro, este desnaturou, usando mal o livre arbítrio de que Deus o dotou. Mas sendo os Homens, segundo a mesma Bíblia, feitos à imagem e semelhança de Deus e este omnisciente e omnipotente, não se compreende a referida atribuição do livre arbítrio e a subsequente desnaturação do Homem.
O argumento ontológico não é, na minha opinião, conclusivo quanto à existência de Deus, pois, é facto que o mal existe e, por tal, parte da premissa falsa de que Deus é perfeito. Da mesma forma inconclusivo quanto à inexistência de Deus é o problema do mal pois, apenas refuta uma ideia de Deus – a de ser ideal e perfeito. Em termos filosóficos, o que é perfeito existe, mas o que existe pode não ser perfeito.
Feuerbach (1804-1872) produziu um conjunto de teses que tentam negar a existência de Deus - a crítica antropológica. Nesta afirma que Deus não é mais do que um paradigma criado pelo Homem, cujos valores e características são elevados ao expoente máximo, numa projecção antropormorfista idealizada. Desta forma, rejeita qualquer identidade ou desígnio divino, inferindo que o Homem concebeu uma representação perfeccionista da sua essência como forma de condicionar atitudes e valores morais. Na minha opinião, a crítica de Feuerbach, apresenta, à primeira vista, aspectos que a tornam convincente, nomeadamente correspondência na vida prática. Refiro, como exemplo, a tese de Karl Marx (1818-1883), apologista da filosofia de Feuerbach, que alerta para o condicionamento de atitudes por meio do temor do divino como factor de conformidade e resignação das classes mais desfavorecidas perante as injustiças sociais.
Por outro lado, penso que o Homem tem em Deus a única explicação confortante para o sentido da Vida, a qual não é fornecida pela filosofia nem pela ciência. Como consequência, surge a dependência da religião e a necessidade de acreditar cegamente em algo transcendente, identidade a qual, segundo Feuerbach, seria a projecção que o próprio Homem teria feito de si.Não obstante os aspectos referidos que favorecem a crítica de Feuerbach, esta não nega a possibilidade de existência de um Deus que não seja produto de uma projecção do Homem e, como tal, a partir das suas teses não podemos conjecturar acerca da real existência de Deus.
Finalizando, não consigo encontrar provas convincentes e conclusivas acerca da existência de Deus. Também, não encontro provas para afirmar a sua inexistência, factos pelos quais contínuo a ter uma posição de procura interrogativa, crítica e reflexiva da verdade. Retomando uma máxima de Sócrates: “Só sei que nada sei”.

sexta-feira, junho 11, 2004

 

Movimento Anti-Touradas de Portugal "As Lindas Ilhas Açoreanas Não Precisam Destas... Sangrentas Tradições!"

http://www.geocities.com/RainForest/Andes/1084/azores.htm

quinta-feira, junho 10, 2004

 

Uma Fantochada Real

Tomou lugar em Madrid, no dia 22 de Maio, o casamento real entre Felipe e Letizia.O mundo assistiu maravilhado àquele edénico “contos de fadas”.
É inacreditável o culto que largos espectros das sociedades prestaram às “ruínas da monarquia”, o regime político que durante séculos, cometeu as maiores atrocidades e abjurações dos direitos intrínsecos à condição de pessoa.
No passado a monarquia foi um sistema déspota, em que o tirano é autocrata e aglutinador de todos os poderes. Em muitas situações a sua legitimidade era fundada no princípio da “vontade divina”, claramente inválido para fins de governo da população.
Um sistema político nestes preceitos além de castrador dos direitos das massas, tantos os políticos, como os individuais, é altamente discriminatório, servindo os interesses do monarca e da aristocracia.Ora, nos dias de hoje, divinizar os herdeiros desse “fardo”, é um fenómeno perfeitamente inconcebível.
Filipe e Letizia, tão iguais a todos nós, são mitificados por massas de proporções assustadoras e, para tal, muito contribuem os media, que têm o dom alimentar o devaneio, desde que muito beneficiem em termos de audiências.
É, também, extremamente interessante o aval que países ditos civilizados e democráticos, entre eles Portugal, fornecem ao “casamento real”, através de representações oficiais. Esses chefes de estado dão o beneplácito ao atraso, ao fossilismo e à mitificação. Parece um tanto mais insólito tratando-se Felipe do futuro “produto” do acto pré-histórico da sucessão nepótica por hereditariedade. Heranças políticas, nunca foram plausíveis, muito menos nos nossos tempos, mesmo quando se tratam de cargos meramente simbólicos.
Por outro lado, será curioso reparar na soberba do protocolo e da própria cerimónia. Os gastos que envolvem a realização de um (pseudo)evento desta natureza, é um atentado ao Humano (tão Humano como Felipe) que nem um pedaço de pão tem para comer.
Parabéns Felipe e Letizia...

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